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Displasia de tróclea: o que é e por que esse diagnóstico importa

A displasia de tróclea é uma alteração anatômica do joelho que compromete diretamente a estabilidade da patela. Trata-se de um tema altamente relevante, muitas vezes subdiagnosticado, mas que está na base da maioria dos quadros de luxação patelar recorrente. Logo no primeiro contato com o paciente, compreender o que é a displasia de tróclea muda completamente a condução do tratamento e os resultados a médio e longo prazo.

A tróclea femoral funciona como um verdadeiro trilho ósseo por onde a patela desliza durante a flexão e extensão do joelho. Quando a tróclea é rasa, plana ou mal formada, a patela perde seu principal estabilizador ósseo, ficando propensa a deslizamentos laterais e luxações, ou seja, a patela sai do lugar e dói muito.

O que é displasia de tróclea do joelho

Definição anatômica da tróclea femoral

A tróclea femoral é uma depressão localizada na extremidade distal do fêmur, entre os côndilos medial e lateral. Essa região foi projetada anatomicamente para receber e guiar a patela durante o movimento do joelho, principalmente nos primeiros graus de flexão.

Em um joelho normal, a tróclea apresenta um sulco profundo, com o lado lateral mais elevado, o que impede que a patela deslize para fora durante a contração do quadríceps.

Como a tróclea normal guia a patela durante o movimento

Nos primeiros 20 a 30 graus de flexão do joelho, a estabilidade da patela depende quase exclusivamente da anatomia óssea da tróclea. Uma tróclea bem formada auxilia na centralização patelar e distribuição adequada de forças.

O que muda quando existe displasia de tróclea

Na displasia de tróclea, o sulco troclear é mal formado, sem ter um formato na letra V. Ele pode ser raso, plano ou até convexo. Como consequência, a patela não encontra um encaixe seguro, especialmente nos movimentos iniciais do joelho.

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Tróclea rasa, plana ou convexa: entendendo as variações

Essas variações anatômicas não são apenas detalhes radiológicos. Elas definem o risco de instabilidade, a gravidade do quadro clínico e a necessidade de correção cirúrgica. Quanto mais severa a deformidade, maior a chance de luxações recorrentes.

Existe inclusive um sistema de classificação, que vai de A a D, sendo que o tipo D é a pior displasia. No tipo A, a tróclea é rasa; no B, a tróclea é plana; e nos tipos C e D a tróclea é convexa, sendo que no D, perde-se um dos muros de apoio à patela.

Qual é a importância da tróclea para a estabilidade do joelho

Papel biomecânico da tróclea no mecanismo extensor: A tróclea é o principal estabilizador ósseo da patela. Ela atua como um guia mecânico, mantendo a patela centralizada mesmo sob altas cargas, como durante corrida, salto ou mudanças bruscas de direção.

Relação entre tróclea, patela e fêmur: O funcionamento harmônico da articulação patelofemoral depende do alinhamento entre tróclea, patela e tendão patelar. Qualquer alteração nessa geometria gera aumento de forças laterais, forçando a patela pra fora do joelho, resultando em instabilidade.

Por que a tróclea é o principal estabilizador ósseo da patela: Diferentemente dos ligamentos, a tróclea não se adapta com fortalecimento muscular. Se a anatomia é desfavorável, o risco permanece, independentemente da fisioterapia ou exercícios.

Estabilidade óssea versus estabilizadores ligamentares: Os ligamentos e músculos são importantes, mas não conseguem compensar uma tróclea displásica (com geometria inapropriada). Esse é um ponto crítico na falha de muitos tratamentos isolados.

Por que a displasia de tróclea causa instabilidade patelofemoral

Alteração do encaixe patelar durante a flexão do joelho: Sem um sulco adequado, a patela tende a migrar lateralmente logo no início da flexão, exatamente no momento de maior vulnerabilidade.

Sobrecarga lateral da patela: Essa migração lateral aumenta o estresse na faceta lateral da patela, gerando dor anterior (na parte da frente) no joelho e desgaste precoce da cartilagem.

Perda do efeito de contenção óssea: A ausência de contenção óssea transforma movimentos simples do dia a dia em situações de risco para subluxações e luxações completas.

Quais são os sintomas da displasia de tróclea

  • Dor anterior no joelho e sensação de falseio: O sintoma mais comum é dor na parte da frente do joelho, frequentemente associada a sensação de instabilidade ou de que o joelho vai sair do lugar.
  • Estalos, insegurança e limitação funcional: Pacientes relatam estalos frequentes, insegurança ao descer escadas, agachar ou praticar esportes.
  • Sintomas em atividades esportivas e no dia a dia: Atividades que exigem mudança de direção, como futebol, handebol e dança, costumam exacerbar os sintomas.

Qual a relação entre displasia de tróclea e luxação de patela

Por que a displasia é o principal fator anatômico da luxação:

A displasia de tróclea está presente na grande maioria dos pacientes com luxação patelar recorrente. Sem corrigir essa base anatômica, o risco de novas luxações permanece alto.

Luxação traumática versus luxação recorrente:

Enquanto uma luxação traumática isolada pode ocorrer em joelhos normais, a recorrência quase sempre indica uma alteração estrutural subjacente, como a presença de displasia de tróclea.

Displasia de tróclea em pacientes jovens e atletas:

Em jovens, a combinação de displasia com alta demanda esportiva acelera o ciclo de instabilidade e lesão cartilaginosa.

Risco de recorrência quando a tróclea não é tratada:

Tratar apenas ligamentos sem abordar a tróclea pode resultar em falha cirúrgica e frustração do paciente.

Como é feito o diagnóstico da displasia de tróclea

Avaliação clínica e história de luxação patelar: O diagnóstico começa com uma boa anamnese, investigando episódios de luxação, subluxação e sensação de instabilidade.

Importância da radiografia em perfil verdadeiro: A radiografia em perfil verdadeiro do joelho e axial da patela é fundamental para identificar sinais clássicos da displasia e outras alterações anatômicas como a patela alta.

Papel da tomografia computadorizada: A tomografia permite avaliar com precisão a morfologia troclear, o alinhamento e a posição da patela.

Ressonância magnética e avaliação da cartilagem: A ressonância complementa o estudo, mostrando lesões condrais e o estado dos ligamentos.

Classificação da displasia de tróclea

Classificação de Dejour: tipos A, B, C e D: Essa classificação é amplamente utilizada para graduar a severidade da displasia e orientar o tratamento.

Características anatômicas de cada tipo: Desde um sulco apenas raso até deformidades severas com convexidade troclear e esporão supratroclear.

Impacto da classificação na decisão terapêutica: Quanto mais grave a displasia, maior a indicação de correção cirúrgica da tróclea.

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Quando a displasia de tróclea precisa de tratamento

  1. Casos assintomáticos precisam de cirurgia: Pacientes sem sintomas e sem lesões de cartilagem não necessitam intervenção, mesmo com alterações radiológicas.
  2. Displasia associada à luxação recorrente: Aqui reside a principal indicação de tratamento cirúrgico.
  3. Dor persistente e falha do tratamento conservador: Quando a dor ou a instabilidade persistem apesar da fisioterapia ou infiltrações, a cirurgia deve ser considerada.

Quais são os tratamentos disponíveis

Fisioterapia focada no controle patelar: Fortalecimento do quadríceps e controle neuromuscular ajudam, mas não corrigem a anatomia.

Fortalecimento muscular e reeducação do movimento: Essas medidas aliviam sintomas leves, especialmente em displasias menos severas.

Limitações do tratamento não cirúrgico: O tratamento conservador não elimina o risco de novas luxações em trócleas gravemente displásicas.

Quando a cirurgia é indicada na displasia de tróclea

  1. Critérios clínicos e radiológicos para indicação cirúrgica: Luxações recorrentes, displasia moderada a grave, lesão de cartilagem e falha do tratamento conservador são critérios clássicos.
  2. Associação com outras alterações anatômicas: Altura patelar elevada, desalinhamentos e lesões ligamentares influenciam a decisão.

O que é a trocleoplastia e qual seu objetivo

A trocleoplastia é uma cirurgia que remodela a tróclea femoral, criando um sulco anatômico adequado para a patela.

Diferentemente de procedimentos paliativos, a trocleoplastia trata a causa da instabilidade.

Após a correção, a patela passa a deslizar de forma estável, reduzindo drasticamente o risco de luxação.

Quem deve realizar a cirurgia de displasia de tróclea

A trocleoplastia é uma cirurgia tecnicamente exigente  e com poucos profissionais capacitados para realizar. Erros na execução podem comprometer o resultado. A experiência faz diferença nos resultados.

A displasia de tróclea é uma das principais causas de instabilidade patelar e luxação recorrente. Compreender sua importância anatômica e biomecânica é essencial para indicar o tratamento correto. Em casos selecionados, a trocleoplastia representa a solução definitiva, tratando a causa do problema e oferecendo estabilidade duradoura ao joelho.

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A dor e a sensação de instabilidade em pacientes com displasia de tróclea devem sempre ser avaliadas de forma individualizada, pois estão diretamente relacionadas à perda do encaixe adequado da patela e à sobrecarga da articulação patelofemoral. Em alguns casos, o uso de órteses ou joelheiras pode oferecer maior sensação de segurança no dia a dia, especialmente durante atividades específicas. No entanto, é fundamental reforçar que esses recursos não corrigem a alteração anatômica da tróclea nem previnem, por si só, novas luxações patelares, devendo ser utilizados apenas como complemento e sempre com indicação profissional.

O Dr. Carlos Vinícius é ortopedista com foco em medicina regenerativa e realiza uma avaliação completa para entender o grau da lesão, o perfil do paciente e definir o melhor tratamento, cirúrgico ou não, com tecnologias como reabilitação personalizada, terapia biológica e protocolos avançados de recuperação.

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