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Fratura de Segond: por que esse pequeno fragmento indica lesão do LCA?

A fratura de Segond é um pequeno arrancamento ósseo que ocorre na região lateral superior da tíbia e possui uma importância muito maior do que o tamanho do fragmento pode sugerir. Esse achado é classicamente considerado um sinal radiológico patognomônico de ruptura do ligamento cruzado anterior, o LCA, principalmente no paciente adulto. Em outras palavras, quando esse pequeno fragmento aparece após uma torção do joelho, significa que houve lesão do LCA.

Normalmente, o problema surge após um movimento de rotação do joelho, frequentemente durante esportes, quedas ou mudanças bruscas de direção. O paciente pode relatar estalo no momento do trauma, dor, inchaço, dificuldade para apoiar o peso sobre a perna e sensação de que o joelho ficou instável. O pequeno fragmento visualizado na radiografia, portanto, não deve ser analisado isoladamente. Ele pode indicar que forças importantes passaram pela articulação e também atingiram ligamentos, meniscos e outras estruturas.

Ao longo deste artigo, você entenderá por que esse fragmento aparece, sua relação com o LCA, quais outras estruturas podem estar lesionadas, como é feito o diagnóstico e quais possibilidades de tratamento e reabilitação podem ser consideradas.

O que é a fratura de Segond?

Trata-se de uma fratura por avulsão localizada na região anterolateral da tíbia proximal, próxima à borda externa do planalto tibial.

Uma fratura por avulsão acontece quando uma estrutura de tecido mole submetida a forte tensão traciona a região em que está inserida e acaba arrancando um pequeno fragmento do osso.

No caso do fragmento de Segond, a anatomia exata envolvida ainda é discutida. Estudos anatômicos relacionam esse arrancamento a componentes do complexo anterolateral do joelho, incluindo o ligamento anterolateral, fibras capsulares e estruturas próximas ao trato iliotibial.

Para compreender melhor essas relações, é útil conhecer a própria anatomia dos joelhos e as principais estruturas da articulação. O joelho depende da interação entre tíbia, fêmur, cartilagem, meniscos, ligamentos, músculos e cápsula articular para controlar movimentos de flexão, extensão e rotação.

Isso explica por que um fragmento ósseo de poucos milímetros pode representar um trauma muito mais amplo.

O fragmento em si nem sempre é o principal problema. O que realmente chama a atenção do ortopedista é o mecanismo que foi necessário para produzi-lo e as possíveis lesões associadas que esse mecanismo pode ter provocado.

Por que esse pequeno fragmento está relacionado à lesão do LCA?

O ligamento cruzado anterior fica no centro do joelho e exerce papel fundamental no controle da estabilidade articular. Ele ajuda principalmente a limitar o deslocamento anterior da tíbia em relação ao fêmur e participa do controle dos movimentos rotacionais.

Por isso, movimentos de giro com o pé apoiado no chão podem produzir uma carga muito elevada sobre o ligamento.

Imagine uma situação comum no futebol: o atleta corre, apoia o pé para mudar rapidamente de direção e gira o tronco enquanto a perna permanece relativamente fixa. A tíbia e o fêmur passam a receber forças de rotação e translação ao mesmo tempo.

Dependendo da intensidade e da posição do membro, o LCA pode não suportar essa carga.

Esse mecanismo também produz grande tensão na parte anterolateral da articulação. Quando essa tensão é suficientemente elevada, pode ocorrer o arrancamento do pequeno fragmento ósseo lateral da tíbia.

É justamente essa combinação biomecânica que explica a relação tão forte entre o achado de Segond e a ruptura do LCA.

A literatura médica descreve esse fragmento como um sinal radiológico classicamente patognomônico de lesão do ligamento cruzado anterior. Estudos de imagem em adultos encontraram associação extremamente elevada entre os dois achados.

Isso não significa que o médico deva olhar apenas para uma radiografia e encerrar a investigação. O achado funciona como um importante alerta de que existe uma lesão interna do joelho a ser pesquisada.

Para entender melhor como esse ligamento funciona e quais alterações podem surgir após sua ruptura, veja também o conteúdo sobre lesões do ligamento cruzado anterior.

Como acontece a lesão?

O mecanismo geralmente envolve uma combinação de rotação, desaceleração e alteração do alinhamento do joelho.

Entre as situações em que isso pode acontecer estão:

  • mudança brusca de direção durante corrida;
  • giro com o pé preso ou apoiado no chão;
  • aterrissagem inadequada após um salto;
  • queda durante a prática esportiva;
  • trauma durante futebol, basquete, handebol, esqui e outras modalidades com movimentos de pivô;
  • acidentes nos quais o joelho sofre torção importante.

Nem sempre é necessário que outra pessoa bata diretamente no joelho. Muitas rupturas do LCA ocorrem sem contato direto.

O paciente frequentemente descreve uma sequência bastante característica: estava correndo ou mudando de direção, sentiu o joelho girar, percebeu um estalo e logo depois começou a apresentar dor e inchaço.

Algumas pessoas conseguem se levantar e caminhar depois do trauma. Isso não significa que a lesão tenha sido leve.

A intensidade da dor também não determina sozinha a gravidade. Um paciente com ruptura ligamentar importante pode apresentar melhora significativa da dor alguns dias após o trauma, mas continuar com instabilidade.

Quais sintomas podem aparecer?

A manifestação varia de acordo com a extensão do trauma e com as estruturas lesionadas em conjunto.

Os sintomas mais comuns incluem:

  • dor imediatamente após a torção;
  • estalo perceptível no momento do trauma;
  • aumento de volume do joelho;
  • dificuldade para continuar praticando o esporte;
  • limitação para dobrar ou esticar a perna;
  • dificuldade para apoiar o peso;
  • sensação de insegurança ao caminhar;
  • episódios em que o joelho parece falhar ou escapar;
  • dor ao realizar movimentos de giro.

O inchaço que aparece rapidamente após uma ruptura do LCA pode estar relacionado à presença de sangue dentro da articulação, condição chamada hemartrose.

Depois da fase mais aguda, a dor pode diminuir consideravelmente.

É nesse momento que alguns pacientes interpretam a melhora como sinal de recuperação completa e tentam voltar precocemente ao esporte.

O problema é que a instabilidade pode permanecer mesmo quando a dor praticamente desapareceu.

Movimentos simples do cotidiano podem ser bem tolerados, enquanto correr, girar, jogar futebol ou mudar rapidamente de direção produz a sensação de que o joelho não acompanha o corpo.

Quando essa sensação ocorre repetidamente, vale aprofundar a investigação sobre instabilidade e sensação de joelho saindo do lugar.

O pequeno fragmento ósseo é o principal problema?

Na maioria das vezes, não.

Esse é um dos pontos mais importantes para quem recebe o resultado de uma radiografia e lê a palavra “fratura”.

A preocupação não costuma estar somente no tamanho ou na consolidação daquele pequeno fragmento. O achado é importante principalmente porque denuncia o mecanismo de trauma e aumenta a suspeita de lesões internas relevantes.

O ortopedista precisa responder perguntas como:

  1. O LCA está parcialmente lesionado ou completamente rompido?
  2. Existe instabilidade objetiva no joelho?
  3. Algum menisco também foi lesionado?
  4. Há lesões de cartilagem?
  5. Existem contusões ósseas?
  6. O complexo anterolateral foi comprometido?
  7. Há outras lesões ligamentares?
  8. Qual é a demanda física e esportiva do paciente?

A decisão terapêutica depende do conjunto dessas informações, e não apenas da presença do pequeno fragmento.

Por que os meniscos também precisam ser avaliados?

Uma torção suficientemente intensa para romper o LCA e produzir o fragmento de Segond também pode atingir os meniscos.

Os meniscos são estruturas de fibrocartilagem posicionadas entre o fêmur e a tíbia. Eles ajudam a distribuir as cargas, absorver impactos, melhorar o contato entre os ossos e colaborar para a estabilidade da articulação.

Essa associação merece atenção especial.

Em um estudo com pacientes submetidos à reconstrução do LCA, aqueles que também apresentavam o fragmento de Segond tiveram maior frequência de lesão isolada do menisco lateral na avaliação pré operatória por ressonância magnética.

Por isso, sintomas como travamento, bloqueio do movimento, dor bem localizada na linha articular ou dificuldade para estender completamente o joelho precisam ser relatados durante a consulta.

O conteúdo sobre meniscos do joelho, suas funções, lesões e tratamentos aprofunda a importância dessas estruturas e explica por que sua preservação é relevante para a saúde da articulação.

Como o diagnóstico costuma ser feito?

A investigação normalmente começa pela história do trauma.

O ortopedista procura compreender exatamente o que aconteceu: posição da perna, existência ou não de contato, presença de estalo, velocidade de aparecimento do inchaço e capacidade de continuar andando ou praticando a atividade.

Depois é realizado o exame físico.

Testes específicos podem ajudar a identificar frouxidão ou instabilidade relacionada ao LCA, entre eles o teste de Lachman, a gaveta anterior e, quando as condições do joelho permitem, a avaliação do pivot shift.

Na fase aguda, porém, dor, edema e contração muscular de proteção podem dificultar alguns desses testes.

Por isso, os exames de imagem assumem papel importante.

Qual exame mostra o fragmento de Segond?

A radiografia simples pode mostrar muito bem o pequeno fragmento ósseo junto à região lateral da tíbia.

Ele pode parecer discreto e, em determinadas situações, passar despercebido quando a imagem não é analisada com atenção.

Um fragmento pequeno não significa uma lesão pequena.

Quando esse achado aparece no contexto de um trauma rotacional, a investigação das estruturas internas do joelho costuma ser necessária.

A ressonância magnética é particularmente importante porque permite avaliar:

  • integridade do LCA;
  • menisco medial;
  • menisco lateral;
  • cartilagem;
  • ligamentos colaterais;
  • contusões ósseas;
  • edema;
  • outras estruturas periarticulares.

A ressonância também pode mostrar sinais indiretos do mecanismo de trauma.

Dependendo do caso, outros exames podem ser solicitados pelo médico, mas radiografia e ressonância magnética têm papéis diferentes e complementares.

A radiografia é particularmente útil na identificação das alterações ósseas. A ressonância permite estudar com maior detalhe as estruturas de partes moles.

Encontrar esse fragmento significa que o LCA rompeu completamente?

No paciente adulto com trauma compatível, o achado tem uma associação extremamente forte com lesão do LCA e é tradicionalmente descrito como patognomônico.

Mesmo assim, a extensão da lesão ligamentar, as estruturas associadas e a repercussão funcional precisam ser determinadas por avaliação clínica e exames adequados.

Há ainda particularidades em crianças e adolescentes com esqueleto imaturo. Estudos pediátricos mostram que o fragmento também pode coexistir com outros padrões de lesão, como fraturas da espinha tibial. Por isso, a idade do paciente e a maturidade do esqueleto precisam fazer parte da interpretação.

Em medicina, o contexto importa.

O objetivo não é apenas colocar um nome no exame, mas compreender tudo o que aconteceu com aquele joelho.

Toda lesão associada ao fragmento precisa de cirurgia?

Não.

A presença desse achado não significa automaticamente que o paciente precisará operar.

Primeiro é necessário determinar o tratamento da lesão ligamentar e das demais alterações associadas.

Existem pacientes com lesão do LCA que podem ser conduzidos inicialmente com tratamento conservador, principalmente quando apresentam boa estabilidade funcional, baixa demanda para atividades com movimentos de pivô e boa resposta à reabilitação.

Em outros casos, a reconstrução ligamentar pode ser considerada.

Essa decisão costuma levar em conta fatores como:

  • idade;
  • nível de atividade física;
  • esporte praticado;
  • profissão;
  • episódios recorrentes de instabilidade;
  • características da ruptura;
  • presença de lesão meniscal;
  • presença de outras lesões ligamentares;
  • objetivos do paciente.

Por exemplo, um indivíduo que não pratica esportes com movimentos rotacionais e consegue manter boa estabilidade após reabilitação pode ter necessidades diferentes das de um jogador de futebol que precisa frear, acelerar e mudar de direção repetidamente.

Cada cenário exige avaliação individual.

O fragmento precisa ser fixado durante a cirurgia?

Essa é uma questão diferente da necessidade de reconstruir o LCA.

A literatura ainda não demonstra que todo fragmento de Segond precise ser fixado cirurgicamente.

Uma revisão sobre o tema observou que ainda não existe consenso sobre a indicação de fixação desse fragmento e que estudos não demonstram de maneira definitiva que sua não fixação piore os resultados após reconstrução do LCA. Também há relatos de consolidação espontânea do fragmento em parte dos pacientes.

Por outro lado, existe interesse crescente na importância biomecânica das estruturas anterolaterais porque o achado pode estar relacionado a maior instabilidade rotacional.

Assim, situações específicas podem exigir uma estratégia cirúrgica diferente.

A decisão depende de elementos como instabilidade rotacional, características anatômicas, padrão de lesão, esportes praticados e presença de outras alterações.

Quando a reconstrução ligamentar é indicada, o conteúdo sobre reconstrução do ligamento cruzado anterior do joelho explica como o procedimento é planejado e por que as lesões associadas precisam ser avaliadas em conjunto.

O que pode ser feito em casa após um trauma?

Depois de uma torção importante, a principal orientação é evitar testar repetidamente o joelho para descobrir se ele está firme.

Tentar correr, saltar ou fazer movimentos de giro logo após o trauma pode provocar novos episódios de instabilidade.

Enquanto aguarda avaliação médica, medidas simples podem ajudar a proteger a articulação, conforme tolerância e orientação profissional:

  • interromper temporariamente esportes e atividades que provoquem dor;
  • evitar movimentos de giro;
  • não insistir em exercícios que causem instabilidade;
  • reduzir a carga sobre o membro se houver dificuldade para caminhar;
  • observar o surgimento ou aumento do inchaço;
  • procurar atendimento caso não consiga apoiar a perna.

Medicamentos não devem ser iniciados ou modificados sem considerar histórico clínico, alergias, possíveis interações e contraindicações.

O tratamento adequado depende do diagnóstico.

Quando procurar um ortopedista?

Uma torção de joelho acompanhada de estalo, inchaço importante ou perda de estabilidade merece avaliação ortopédica.

A consulta se torna especialmente importante quando existe:

  • dificuldade para apoiar a perna;
  • inchaço rápido depois da lesão;
  • incapacidade de esticar ou dobrar completamente o joelho;
  • sensação de falha;
  • bloqueio articular;
  • dor persistente;
  • piora progressiva;
  • perda de força;
  • recorrência dos episódios de instabilidade;
  • dificuldade para retornar às atividades habituais.

Quando uma radiografia já identificou um fragmento compatível com Segond, a investigação não deve se limitar ao osso.

O objetivo é avaliar o LCA e procurar possíveis lesões associadas.

Conclusão

A fratura de Segond chama atenção justamente pelo contraste entre o tamanho do fragmento e a importância do achado. Embora seja uma pequena avulsão óssea na região lateral da tíbia, ela é classicamente considerada um sinal radiológico patognomônico de lesão do ligamento cruzado anterior e deve levar à investigação cuidadosa do LCA e das demais estruturas do joelho.

O paciente pode apresentar estalo, inchaço, dor, limitação de movimento ou sensação de instabilidade após uma torção, mas a intensidade dos sintomas varia bastante. Além disso, meniscos, cartilagem e estruturas anterolaterais podem ter sido afetados durante o mesmo trauma.

Radiografia, exame físico e ressonância magnética ajudam a compreender a extensão da lesão. A escolha entre tratamento conservador e cirurgia depende da estabilidade do joelho, das lesões associadas, da rotina, do esporte praticado e dos objetivos de cada paciente.

Por isso, ao identificar esse pequeno fragmento após um trauma, o mais importante não é avaliar apenas a fratura. É compreender o que aconteceu com toda a articulação. Dor persistente, inchaço, limitação de movimento, perda de força, travamento ou sensação de que o joelho falha são motivos para procurar avaliação com um ortopedista, especialmente um profissional habituado ao diagnóstico e tratamento das lesões do joelho.

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O Dr. Carlos Vinícius é ortopedista com foco em medicina regenerativa e realiza uma avaliação completa para entender o grau da lesão, o perfil do paciente e definir o melhor tratamento, cirúrgico ou não, com tecnologias como reabilitação personalizada, terapia biológica e protocolos avançados de recuperação.

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Dr. Carlos Vinicius Ortopedista SP

Sobre o Dr. Carlos Vinícius

O Dr. Carlos Vinícius é referência no tratamento por ondas de choque em São Paulo. Formado há mais de 10 anos pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), se especializou em cirurgia do joelho pela Universidade de São Paulo (USP) e finalizou seu doutorado em Ciências da Cirurgia também pela UNICAMP.

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Dr. Carlos Vinícius

Ortopedista e Cirurgião do Joelho | CRM-SP 140.189 | TEOT 13.130
Doutor em Ciências da Cirurgia pela UNICAMP, especialista em Cirurgia do Joelho pela USP e com treinamento em Pesquisa Clínica pela Harvard Medical School.

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