Dor no joelho_ osteocondrite dissecante-2

Osteocondrite dissecante do joelho: causas, sintomas e tratamento

A osteocondrite dissecante do joelho é uma alteração do osso localizado abaixo da cartilagem que pode comprometer a sustentação de um pequeno segmento da superfície articular. Ela pode causar dor e inchaço durante atividades e, quando o segmento se torna instável ou se solta, provocar bloqueios. O tratamento depende principalmente da estabilidade da lesão, do crescimento ósseo e das condições do fragmento.

A causa exata não é completamente esclarecida. Sobrecarga repetitiva, características individuais do osso e alterações da circulação local são fatores considerados no desenvolvimento do quadro. Isso não significa que uma atividade esportiva específica seja, sozinha, responsável por toda lesão.

O diagnóstico é especialmente importante em crianças e adolescentes com dor persistente ou inchaço recorrente. Nessa fase, algumas lesões estáveis têm possibilidade de cicatrizar com proteção e acompanhamento, enquanto outras precisam de abordagem cirúrgica.

O que acontece no osso e na cartilagem?

A osteocondrite dissecante afeta inicialmente o osso subcondral, que fica logo abaixo da cartilagem que reveste a articulação. Uma pequena área desse osso fica comprometida e pode perder sua união com o restante do osso.

No início, a cartilagem que recobre a área pode permanecer intacta. Se a lesão evoluir, o fragmento de osso e cartilagem pode ficar solto, desprender-se e se deslocar dentro do joelho. Isso deixa uma falha na superfície articular e pode causar dor, inchaço e travamentos.

No joelho, a região mais frequentemente afetada é o côndilo femoral medial, a parte arredondada da extremidade inferior do fêmur localizada no lado interno da articulação. A evolução depende, entre outros fatores, da estabilidade do fragmento e de o paciente ainda estar em fase de crescimento. Nem toda lesão progride para o desprendimento: algumas podem cicatrizar, especialmente em crianças e adolescentes com lesões estáveis.

A relação entre as superfícies fica mais clara ao conhecer a anatomia dos joelhos. Diferentemente de uma inflamação passageira, existe uma alteração estrutural que precisa ser acompanhada, mesmo quando os sintomas variam de intensidade.

Qual é a diferença entre uma lesão estável e uma instável?

A diferença está na fixação do fragmento de osso e cartilagem ao restante do osso:

  • Lesão estável: o fragmento permanece firme em sua posição, sem sinais de soltura.
  • Lesão instável: o fragmento perde sua fixação e pode se movimentar. Nos casos mais avançados, ele se desprende e fica solto dentro da articulação, podendo provocar travamentos.

Essa distinção ajuda a definir o tratamento. Lesões estáveis, principalmente em crianças e adolescentes que ainda estão crescendo, têm maior potencial de cicatrização com tratamento sem cirurgia. Nas lesões instáveis, a cirurgia pode ser necessária para fixar o fragmento ou tratar a área comprometida.

A ressonância magnética ajuda a avaliar a fixação do fragmento, a cartilagem que o recobre e os sinais de separação. Quando há indicação de cirurgia, a estabilidade também pode ser verificada diretamente durante a artroscopia. A intensidade da dor, sozinha, não permite saber se a lesão é estável ou instável.

Lesão osteocondral no côndilo femoral-1

Por que a osteocondrite dissecante pode aparecer em jovens que praticam esporte?

Durante atividades como corrida, saltos e mudanças de direção, o joelho recebe cargas repetidas. Em jovens predispostos, essa sobrecarga pode contribuir para o comprometimento de uma área do osso que ainda está em desenvolvimento.

Entretanto, a doença não tem uma causa única conhecida. Além da sobrecarga, alterações na formação e na irrigação sanguínea do osso, características anatômicas e fatores genéticos podem participar do seu desenvolvimento. Por isso, ela também pode ocorrer em jovens que não praticam esportes intensamente.

Diferentemente de uma fratura causada por uma queda ou torção, a osteocondrite dissecante geralmente se desenvolve aos poucos, sem um trauma único que explique seu início. Apesar do nome, não é uma infecção.

Quais sintomas podem aparecer?

Os sintomas mais comuns são dor durante ou após atividades físicas e inchaço no joelho. No início, a dor pode ser difícil de localizar e surgir principalmente ao correr, saltar ou praticar esportes. A criança ou o adolescente pode começar a mancar, evitar determinados movimentos ou reduzir a participação nos treinos.

Se o fragmento de osso e cartilagem começar a se soltar, podem surgir sensação de que o joelho prende e episódios de travamento. Quando o fragmento se desprende e fica livre dentro da articulação, pode bloquear o movimento e impedir temporariamente que o joelho seja dobrado ou esticado por completo.

Estalos sem dor não confirmam a doença. O que merece atenção é a combinação com inchaço, limitação ou perda de função. A discussão sobre estalos no joelho da criança ajuda a reconhecer que o contexto clínico é mais importante do que o ruído isolado.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da osteocondrite dissecante é feito pela avaliação dos sintomas, pelo exame do joelho e por exames de imagem. Dor que piora com atividades físicas, inchaço recorrente e episódios de travamento podem levantar a suspeita. O ortopedista também avalia se o paciente ainda está em crescimento, pois isso influencia a possibilidade de cicatrização e a escolha do tratamento.

A radiografia costuma ser o primeiro exame solicitado. Ela permite identificar a região do osso afetada, avaliar o tamanho da lesão e verificar se algum fragmento se soltou. Além das imagens de frente e de lado, podem ser necessárias outras posições para visualizar melhor a área comprometida. Como a doença pode atingir os dois joelhos, o médico também pode solicitar radiografias do lado oposto, mesmo que ele não apresente dor.

O que a ressonância acrescenta?

A ressonância mostra com mais detalhes o osso afetado e a cartilagem que o recobre. Sua principal função é ajudar a avaliar se o fragmento permanece bem preso ou apresenta sinais de desprendimento — uma diferença importante para decidir entre acompanhamento e cirurgia.

O exame pode mostrar fissuras na cartilagem, líquido entre o fragmento e o restante do osso e fragmentos soltos dentro da articulação. Também ajuda a identificar outras lesões que possam causar dor ou travamento.

Em crianças e adolescentes, alguns sinais da ressonância podem parecer indicar desprendimento sem que o fragmento esteja realmente solto. Por isso, o resultado é interpretado junto com as radiografias, os sintomas e o exame físico.

Durante o tratamento, radiografias e, quando necessário, novas ressonâncias ajudam a verificar a cicatrização. Mesmo que a dor desapareça, o osso pode ainda não estar completamente cicatrizado; por isso, a melhora dos sintomas, sozinha, não basta para liberar o retorno ao esporte.

Por que a fase de crescimento influencia o tratamento?

Lesões estáveis têm maior chance de cicatrizar em crianças e adolescentes que ainda estão crescendo. Por isso, saber se o crescimento ósseo terminou ajuda a definir o tratamento e as expectativas de recuperação.

Essa avaliação é feita pelas imagens das placas de crescimento, regiões responsáveis pelo aumento do comprimento dos ossos. Quando elas ainda estão abertas, o potencial de cicatrização é maior. Após seu fechamento, esse potencial diminui, mas o tratamento sem cirurgia ainda pode ser considerado em situações selecionadas.

Além da fase de crescimento, a escolha do tratamento leva em conta a estabilidade, o tamanho e a localização da lesão, os sintomas e sua evolução.

Como funciona o tratamento sem cirurgia?

O tratamento sem cirurgia é indicado principalmente para lesões estáveis em pacientes que ainda estão crescendo. O objetivo é permitir a cicatrização do osso e preservar a cartilagem que recobre a área comprometida.

O plano pode combinar proteção do joelho, fisioterapia e, em casos selecionados, ondas de choque, com acompanhamento por consultas e exames de imagem.

Ajuste das atividades e proteção do joelho

Corridas, saltos e esportes com impacto geralmente precisam ser suspensos temporariamente para reduzir a sobrecarga sobre a lesão. Dependendo dos sintomas e das características da área comprometida, pode ser necessário usar muletas para diminuir ou evitar o apoio do peso na perna. Órteses ou imobilização também podem ser indicadas em algumas situações.

As orientações devem esclarecer o que o paciente pode fazer no dia a dia, incluindo caminhadas, escadas, atividades escolares e lazer.

Fisioterapia

A fisioterapia ajuda a manter ou recuperar a mobilidade do joelho e a força da musculatura da coxa e do quadril. Os exercícios são escolhidos para trabalhar essas capacidades sem sobrecarregar a área em cicatrização.

Conforme a evolução, a carga e a dificuldade aumentam gradualmente, preparando o paciente para retomar suas atividades.

Ondas de choque

As ondas de choque podem ser consideradas em casos selecionados, com o objetivo de estimular a reparação do osso comprometido. O tratamento é realizado com um equipamento que aplica ondas acústicas direcionadas à área da lesão, sem incisões.

Existem estudos sobre seu uso na osteocondrite dissecante, embora a experiência publicada ainda seja limitada. A indicação depende das características da lesão e da avaliação do ortopedista. Quando utilizadas, as ondas de choque fazem parte do plano de tratamento e não substituem a proteção do joelho nem o acompanhamento da cicatrização.

Acompanhamento e retorno às atividades

A recuperação costuma levar meses e é acompanhada por consultas e exames de imagem, como radiografias e, quando necessário, ressonância magnética.

A melhora da dor não significa, por si só, que o osso já cicatrizou. A liberação para correr, saltar e voltar ao esporte considera também a evolução da lesão nos exames, a mobilidade e a recuperação da força muscular.

Quando a cirurgia pode ser necessária?

A cirurgia pode ser indicada quando o fragmento de osso e cartilagem está instável ou já se desprendeu, ou quando uma lesão estável não cicatriza apesar do tratamento sem cirurgia. A decisão também considera os sintomas, a fase de crescimento e o tamanho e a localização da lesão.

O objetivo é preservar a superfície da articulação sempre que possível. Dependendo do caso, o tratamento pode estimular a cicatrização do osso, fixar o fragmento ou reconstruir a área comprometida quando ele não pode ser aproveitado.

Essas decisões fazem parte do tratamento das lesões de cartilagem e do osso associado. O planejamento busca preservar a articulação quando possível, mas precisa discutir os limites de cada técnica e a possibilidade de procedimentos adicionais.

Quais técnicas cirúrgicas podem ser utilizadas?

Perfurações para estimular a cicatrização

Em lesões estáveis que não cicatrizam com o tratamento inicial, podem ser feitas pequenas perfurações para favorecer a chegada de sangue e estimular a reparação do osso comprometido.

O trajeto das perfurações é planejado para preservar as estruturas saudáveis e, em crianças e adolescentes, respeitar as placas de crescimento.

Fixação do fragmento

Quando o fragmento está se soltando ou já se desprendeu, mas ainda apresenta condições de cicatrizar, ele pode ser reposicionado e fixado com parafusos ou outros dispositivos. Em alguns casos, também é necessário colocar enxerto ósseo sob o fragmento para preencher falhas e favorecer sua integração.

A possibilidade de preservá-lo depende da qualidade do osso e da cartilagem, além das condições da área onde será fixado.

Reconstrução do osso e da cartilagem

Quando o fragmento não pode ser aproveitado, sua retirada deixa uma falha na superfície articular. O tratamento dessa área depende do tamanho, da profundidade e da localização do defeito.

As opções incluem técnicas que estimulam a formação de tecido de reparação e procedimentos que transferem ou transplantam cartilagem, com ou sem osso associado. Quando há perda óssea importante, ela também precisa ser tratada.

O transplante de cartilagem do joelho pode fazer parte dessa reconstrução em casos selecionados. Algumas cirurgias são realizadas por artroscopia, por pequenas incisões; outras exigem uma abertura maior ou mais de uma etapa.

Quais são os riscos e os cuidados durante o tratamento?

Durante o tratamento sem cirurgia

O principal cuidado é proteger a lesão enquanto o osso cicatriza. Mesmo com pouca dor, o fragmento pode não estar pronto para suportar corridas, saltos ou outras atividades de impacto. Se a lesão não cicatrizar ou evoluir com soltura do fragmento, o plano de tratamento precisa ser revisto.

As restrições devem ser acompanhadas de orientações sobre os movimentos e exercícios permitidos, ajudando a preservar a mobilidade, a força e o condicionamento.

Depois da cirurgia

Os riscos incluem infecção, sangramento, trombose, rigidez e persistência da dor. Também pode ocorrer falha de cicatrização do fragmento ou de integração dos enxertos, tornando necessária uma nova intervenção. Alguns materiais de fixação precisam ser retirados em outro procedimento.

Os cuidados variam conforme a técnica e podem incluir uso de muletas, limitação temporária do apoio, proteção dos movimentos e fisioterapia. Respeitar essas etapas ajuda a proteger a fixação ou a área reconstruída.

Febre, secreção na ferida, vermelhidão crescente ou piora acentuada da dor exigem contato com a equipe. Dor e inchaço novos na panturrilha precisam de avaliação rápida. Falta de ar súbita ou dor no peito exigem atendimento de urgência.

Como é o retorno à escola, aos exercícios e ao esporte?

Retorno à escola e às atividades diárias

O retorno às aulas pode ocorrer antes da liberação para exercícios e esportes. Se houver uso de muletas ou restrição de apoio, pode ser necessário adaptar escadas, deslocamentos e acesso à sala de aula. A participação na educação física depende de autorização específica.

Retorno aos exercícios e ao esporte

A recuperação ocorre em etapas: primeiro são recuperados os movimentos e a força; depois, conforme a cicatrização, são introduzidos exercícios de maior carga, corrida, saltos e movimentos próprios do esporte.

A liberação considera a evolução da lesão nos exames, a ausência de dor e inchaço e a recuperação da mobilidade, da força e do controle do joelho. Conseguir caminhar sem dor, por si só, não significa estar pronto para voltar ao esporte.

O processo costuma levar meses e varia conforme a lesão e o tratamento realizado. O acompanhamento permite ajustar cada etapa e verificar se o joelho está preparado para receber cargas maiores.

Quando procurar um ortopedista ou atendimento urgente?

Dor recorrente e inchaço depois do esporte, limitação dos movimentos ou episódios de bloqueio justificam avaliação. Em crianças e adolescentes, não é adequado explicar todo desconforto persistente como dor do crescimento, especialmente quando há perda de função ou alteração da marcha.

Deformidade após trauma, incapacidade súbita de apoiar o membro ou febre com articulação inchada e quente exigem atendimento urgente. Um bloqueio que não se resolve também precisa de avaliação rápida, sem tentar liberar o joelho com movimentos bruscos.

Alterações da circulação ou da sensibilidade, como pé frio, palidez e dormência súbita, exigem atendimento imediato. Esses sinais não são suficientes para diagnosticar osteocondrite e podem indicar outro problema que precisa ser investigado prontamente, sem aguardar agendamento de rotina.

Avaliação da lesão osteocondral com o Dr. Carlos Vinícius

O Dr. Carlos Vinícius é ortopedista e cirurgião do joelho, com atuação em lesões esportivas e tratamento da dor. A consulta permite analisar estabilidade, imagens e limitações para discutir as opções adequadas ao quadro.

Para uma consulta programada, você pode agendar pelo WhatsApp oficial. Sinais de urgência exigem atendimento imediato.

Conclusão

A osteocondrite dissecante do joelho compromete uma área do osso abaixo da cartilagem e pode evoluir com instabilidade ou desprendimento do fragmento. Dor, inchaço e bloqueios precisam ser avaliados junto às imagens e ao estágio de crescimento.

Lesões estáveis podem ser acompanhadas com proteção e reabilitação orientada, enquanto outras exigem cirurgia para estimular a cicatrização, fixar ou reconstruir a área. O plano deve priorizar a preservação articular quando possível e respeitar a recuperação de cada paciente.

 

Dr. Carlos Vinicius Ortopedista SP

Sobre o Dr. Carlos Vinícius

O Dr. Carlos Vinícius é referência no tratamento por ondas de choque em São Paulo. Formado há mais de 10 anos pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), se especializou em cirurgia do joelho pela Universidade de São Paulo (USP) e finalizou seu doutorado em Ciências da Cirurgia também pela UNICAMP.

Saiba mais

Foto de Dr. Carlos Vinícius

Dr. Carlos Vinícius

Ortopedista e Cirurgião do Joelho | CRM-SP 140.189 | TEOT 13.130
Doutor em Ciências da Cirurgia pela UNICAMP, especialista em Cirurgia do Joelho pela USP e com treinamento em Pesquisa Clínica pela Harvard Medical School.

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