A fratura em idosos vai muito além de um osso quebrado. Ela representa risco de perda de autonomia, dor prolongada, complicações clínicas e até aumento da mortalidade. Um dos maiores desafios nesse cenário é a não cicatrização da fratura, também chamada de retardo de consolidação ou pseudoartrose. Felizmente, hoje existem estratégias modernas que ajudam a estimular a regeneração óssea, como as ondas de choque extracorpóreas (ESWT), o campo eletromagnético e o uso da teriparatida. Neste artigo, vamos explicar tudo isso de forma clara, prática e acessível.
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ToggleEntendendo a cicatrização óssea no idoso
O osso é um tecido vivo. Após uma fratura, o corpo inicia um processo organizado de cicatrização que passa por inflamação inicial, formação de calo ósseo e remodelação. Em pessoas jovens, esse processo costuma ser eficiente e rápido.
Com o envelhecimento, a capacidade de regeneração diminui. Há menor atividade das células formadoras de osso, redução da vascularização e maior presença de doenças associadas. Isso torna a consolidação óssea mais lenta e, em alguns casos, incompleta.
O que é a não cicatrização de fratura no idoso
O atraso de consolidação ocorre quando a fratura demora mais do que o esperado para cicatrizar, mas ainda apresenta potencial de cura. A pseudoartrose acontece quando o osso simplesmente para de cicatrizar, formando uma espécie de “falsa articulação”.
Dor crônica, limitação funcional, dependência de terceiros e maior risco de quedas são consequências comuns. Por isso, prevenir a não cicatrização é essencial.
Principais fatores de risco para não cicatrização em idosos
Osteoporose e baixa densidade óssea: O osso mais frágil tem menor capacidade de sustentar o processo de regeneração.
Doenças crônicas associadas: Diabetes, doenças vasculares, insuficiência renal e problemas hormonais interferem diretamente na cicatrização.
Uso de medicamentos: Corticosteroides, anti-inflamatórios em excesso e alguns anticoagulantes podem atrapalhar a formação óssea.
Tabagismo e nutrição inadequada: O cigarro reduz o fluxo sanguíneo e a oxigenação do osso. A deficiência de proteínas, cálcio e vitamina D também compromete o processo.
A importância do diagnóstico precoce
Avaliação clínica e exames de imagem: Radiografias seriadas, tomografia e, em alguns casos, ressonância ajudam a identificar se a fratura está evoluindo adequadamente.
Identificação de sinais de alerta: Dor persistente, incapacidade de apoiar o membro e ausência de progresso radiográfico são sinais de atenção.
Hoje, além da cirurgia e da imobilização correta, existem terapias que estimulam biologicamente o osso a cicatrizar.
Ondas de choque extracorpóreas (ESWT) na cicatrização óssea
As ondas de choque extracorpóreas são estímulos mecânicos aplicados externamente sobre a região da fratura, sem necessidade de cortes ou internação.
Elas estimulam a formação de novos vasos sanguíneos, aumentam a atividade das células ósseas e ativam fatores locais de regeneração. É como “acordar” o osso para voltar a cicatrizar.
Vantagens
- Tratamento não invasivo
- Pode reduzir dor
- Estimula a consolidação óssea
- Alternativa ou complemento à cirurgia
Campo eletromagnético como estímulo à consolidação óssea
É uma técnica que utiliza campos magnéticos pulsados para estimular o metabolismo ósseo.
O campo eletromagnético atua nas células, favorecendo a produção de matriz óssea e melhorando a organização do calo ósseo.
Vantagens
- Não invasiva
- Pode ser usada em casa com dispositivos específicos
- Baixo risco de efeitos colaterais
- Indolor
Teriparatida no tratamento da não cicatrização
A teriparatida é um medicamento injetável que simula a ação do hormônio da paratireoide, estimulando diretamente a formação de osso novo. Diferente de outros remédios para osteoporose que apenas reduzem a perda óssea, a teriparatida aumenta ativamente a produção de osso.
Em casos selecionados, ela pode acelerar a consolidação e reduzir o risco de pseudoartrose, especialmente em idosos com osteoporose grave.
Cuidados e limitações
- Uso por tempo limitado
- Necessita acompanhamento médico
- Avaliação criteriosa de riscos e benefícios
Combinação de terapias:
Ondas de choque extracorpóreas, campo eletromagnético e teriparatida não são concorrentes. Em muitos casos, podem ser usados de forma integrada para potencializar os resultados. Cada idoso é único. A escolha depende do tipo de fratura, estado geral de saúde, densidade óssea e histórico clínico.
Importância da reabilitação e do acompanhamento multidisciplinar
- Fisioterapia e estímulo funcional: Movimento orientado ajuda a estimular o osso e evita perda muscular.
- Nutrição adequada: Proteína, cálcio, vitamina D e outros micronutrientes são fundamentais para a consolidação.
- Prevenção de novas quedas: Corrigir fatores de risco ambientais e clínicos reduz a chance de novas fraturas.
Mesmo com terapias modernas, alguns casos exigem correção cirúrgica. O objetivo das abordagens biológicas é reduzir esse risco e melhorar os resultados quando a cirurgia é inevitável.
Monitorar a evolução da fratura, ajustar terapias e identificar precocemente falhas no processo de cicatrização é essencial para o sucesso do tratamento.
Evitar a não cicatrização de fratura no idoso exige uma abordagem ampla, que vai muito além da imobilização. As ondas de choque extracorpóreas (ESWT), o campo eletromagnético e a teriparatida representam ferramentas valiosas para estimular a regeneração óssea, reduzir complicações e preservar a autonomia do paciente. O segredo está na avaliação individualizada, no uso correto dessas terapias e no acompanhamento próximo por uma equipe especializada.
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A dor persistente e a dificuldade funcional após uma fratura no idoso exigem avaliação individualizada, pois podem estar relacionadas ao retardo de consolidação, à baixa qualidade óssea ou a doenças associadas. Em alguns casos, terapias como ondas de choque extracorpóreas, campo eletromagnético e o uso da teriparatida podem auxiliar a estimular a cicatrização óssea, mas é fundamental reforçar que essas abordagens não substituem o tratamento de base nem a correção de fatores de risco, devendo sempre ser indicadas e acompanhadas por um profissional qualificado.
O Dr. Carlos Vinícius é ortopedista com foco em medicina regenerativa e realiza uma avaliação completa para entender o grau da lesão, o perfil do paciente e definir o melhor tratamento, cirúrgico ou não, com tecnologias como reabilitação personalizada, terapia biológica e protocolos avançados de recuperação.
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