exossomos-ortopedia

Exossomos no tratamento da artrose: uma evolução do PRP ou nova proposta?

Você já sentiu um ranger no joelho ao levantar da cadeira? Ou acordou com o quadril travado? A artrose causa esses sintomas. Ela começa de forma discreta e piora com o tempo. Subir escadas se torna difícil. A pergunta principal é o que fazer além de usar anti inflamatórios ou, no final do processo, colocar uma prótese.

A medicina regenerativa tem desenvolvido novas opções. Você já deve ter ouvido falar do PRP, o Plasma Rico em Plaquetas. O PRP consiste em uma injeção das suas próprias plaquetas concentradas para tratar a artrose. Agora, surge um novo termo, os exossomos. 

O que são exossomos?

Células se comunicam entre si por meio de vesículas extracelulares. Os exossomos são um tipo dessas vesículas liberadas naturalmente pelas células. Eles têm tamanho nanométrico, invisível ao microscópio óptico comum. Dentro dos exossomos, encontram se proteínas, lipídios, RNA mensageiroe micro RNAs. Este conjunto forma um sistema de instruções biológicas.

Os exossomos saem de uma célula. Eles circulam pelo sangue ou pelo líquido sinovial. Em seguida, eles se ligam a outras células. O conteúdo entregue inclui sinais que podem estimular a multiplicação celular, reduzir a inflamação ou alterar o comportamento da célula receptora.

Extração a partir de células tronco ou do PRP

Os exossomos podem ser produzidos por diferentes tipos celulares. Exemplos incluem células tronco mesenquimais do cordão umbilical, tecido adiposo ou medula óssea. Além disso, as plaquetas também produzem exossomos. Quando um laboratório isola exossomos a partir do PRP do seu próprio sangue, o produto final difere do PRP bruto. O PRP contém plaquetas inteiras. Os exossomos derivados de plaquetas contêm apenas as partículas ultrafinas liberadas por essas plaquetas.

Os exossomos atuam como moduladores celulares. O mecanismo não envolve ação direta como uma substância farmacológica simples. Eles possuem uma farmácia dentro de si.

Reprogramação do ambiente inflamatório

Na artrose, a articulação apresenta inflamação crônica de baixo grau. Os exossomos reduzem a atividade de células inflamatórias. Simultaneamente, eles entregam micro RNAs que estimulam os condrócitos, células da cartilagem, a produzir mais colágeno e proteoglicanos. O resultado é uma mudança do perfil de destruição tecidual para um perfil de reparo.

Passo a passo da ação

  1. Injeção: os exossomos são aplicados diretamente dentro da articulação.
  2. Sinalização: os exossomos se ligam às células alvo, incluindo membrana sinovial, cartilagem e osso subcondral.
  3. Reprogramação: há transferência de RNA e proteínas que diminuem citocinas inflamatórias, como interleucina 6 e fator de necrose tumoral alfa.
  4. Regeneração: ocorre estímulo à produção de matriz extracelular, resultando em formação de cartilagem nova.

O resultado potencial inclui redução da dor, melhora da lubrificação articular e possível reversão parcial da artrose.

PRP, Plasma Rico em Plaquetas

O PRP é obtido por centrifugação do sangue total. A centrifugação separa as hemácias e concentra as plaquetas. O produto final apresenta concentração de plaquetas de 3 a 10 vezes maior que o sangue normal. As plaquetas ativadas liberam fatores de crescimento, como PDGF, TGF beta e VEGF. Esses fatores atraem células reparadoras e aumentam o fluxo sanguíneo local. O resultado é uma redução temporária da dor.

O efeito do PRP tem duração limitada. A melhora dura de 6 a 12 meses, mas a progressão da doença não é interrompida. A resposta ao PRP é variável. Ela depende da qualidade das plaquetas do paciente, fatores como idade, genética e nível de inflamação sistêmica. Geralmente, são necessárias 3 aplicações com intervalo mensal. O PRP não promove regeneração robusta da cartilagem. Os estudos mostram alívio dos sintomas, mas pouca evidência de regeneração estrutural.

exossomos

Comparação entre exossomos e PRP

Os exossomos derivados de plaquetas representam uma fração purificada do PRP.

Benefícios teóricos dos exossomos no tratamento da artrose

Redução mais eficiente da inflamação crônica

O PRP reduz a inflamação de forma temporária. Os exossomos atuam em múltiplas vias inflamatórias. Estudos mostram que eles diminuem a expressão de metaloproteinases, enzimas que degradam a cartilagem, e aumentam os inibidores naturais dessas enzimas.

Estímulo à regeneração da cartilagem

A regeneração da cartilagem é um objetivo central no tratamento da artrose. Em modelos animais com artrose induzida, exossomos de células tronco ou de plaquetas aumentaram a espessura da cartilagem e melhoraram os escores histológicos. Em humanos, os resultados iniciais são promissores, mas ainda limitados. A cartilagem não possui vasos sanguíneos. O pequeno tamanho dos exossomos facilita sua penetração nesse tecido.

Baixo risco de rejeição ou reações imunológicas

Quando extraídos do PRP autólogo, os exossomos derivam do próprio paciente. O risco de rejeição é mínimo. Algumas clínicas utilizam exossomos de fontes alogênicas, isto é, de doadores. Nesse caso, existe risco teórico de reação imunológica. Recomenda-se preferir produtos autólogos ou de bancos regulados.

Efeitos mais duradouros e menor uso de analgésicos

Pacientes que receberam exossomos em estudos pilotos relataram redução significativa da dor por mais de um ano, além de maior amplitude de movimento. A redução da dor diminui a necessidade de medicamentos como diclofenaco ou codeína.

Exossomos como evolução do PRP ou nova proposta?

Os exossomos podem ser extraídos do PRP. Nesse sentido, eles representam um refinamento tecnológico. O PRP contém plaquetas inteiras e fatores solúveis. Os exossomos derivados de plaquetas contêm apenas as vesículas mais ativas. As vantagens incluem maior concentração de moléculas sinalizadoras, menor volume injetado e ação mais precisa. Várias empresas de biotecnologia estão desenvolvendo métodos de isolamento de exossomos a partir de plaquetas para melhorar o PRP.

Rotular os exossomos apenas como evolução do PRP é insuficiente. Os exossomos podem ser obtidos de outras fontes, como células tronco do cordão umbilical, que não contêm plaquetas. Mesmo quando derivados do PRP, o mecanismo dos exossomos inclui micro RNAs, que regulam a expressão gênica. Os fatores de crescimento clássicos do PRP não têm esse efeito. Portanto, os exossomos constituem uma categoria terapêutica distinta.

Conclusão: qual caminho seguir?

Os exossomos não são apenas uma evolução do PRP. Eles representam uma nova categoria terapêutica. Como toda nova tecnologia, são necessários mais estudos, padronização e regulamentação. O paciente deve conversar com seu médico, pesquisar e adotar cuidados gerais como controle de peso, fortalecimento muscular e alimentação anti inflamatória. Nenhuma injeção isolada substitui um plano de tratamento completo.

Agende sua consulta com o Dr. Carlos Vinícius!

O Dr. Carlos Vinícius é ortopedista com foco em medicina regenerativa e realiza uma avaliação completa para entender o grau da lesão, o perfil do paciente e definir o melhor tratamento, cirúrgico ou não, com tecnologias como reabilitação personalizada, terapia biológica e protocolos avançados de recuperação.

Agende sua consulta agora mesmo.

 📍 Atendimento em São Paulo – Rua Borges Lagoa, 1083, cj 72
📞 (11) 5082-2132 / 93403-4003
📩 Agende diretamente pelo WhatsApp

Referências Bibliográficas

LIAO, Bo; TIAN, Yu; GUAN, Mengtong; et al. Exosomes derived from platelet-rich plasma alleviate synovial inflammation by enhancing synovial lymphatic function. CiteAb, 2025. Disponível em: https://www.citeab.com/publication/40173697-40671121-exosomes-derived-from-platelet-rich-plasma-alleviat

XU, Chenyue; MI, Ziyue; DONG, Zhenyue; et al. Platelet-derived exosomes alleviate knee osteoarthritis by attenuating cartilage degeneration and subchondral bone loss. PubMed / The American Journal of Sports Medicine, 2023. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37551685/

Dr. Carlos Vinicius Ortopedista SP

Sobre o Dr. Carlos Vinícius

O Dr. Carlos Vinícius é referência no tratamento por ondas de choque em São Paulo. Formado há mais de 10 anos pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), se especializou em cirurgia do joelho pela Universidade de São Paulo (USP) e finalizou seu doutorado em Ciências da Cirurgia também pela UNICAMP.

Saiba mais

Compartilhe:

Facebook
WhatsApp
Telegram
LinkedIn