O clunk patelar após prótese de joelho é uma complicação mecânica na qual um pequeno nódulo de tecido fibroso se forma próximo à parte superior da patela e fica temporariamente preso em um componente da prótese durante a flexão do joelho. Quando a pessoa começa a estender a perna, esse tecido se solta de maneira repentina, provocando um estalo perceptível, sensação de ressalto, dor ou breve travamento. O problema aparece principalmente depois de alguns modelos de prótese total estabilizada posterior e foi mais frequente em determinados desenhos utilizados no passado.
A formação costuma surgir na transição entre o tendão do quadríceps e a parte superior da patela. Durante a flexão, esse tecido fibroso pode entrar no espaço intercondilar do componente femoral da prótese. Ao estender novamente o joelho, o nódulo fica preso por alguns instantes e depois escapa, gerando o estalo.
Por isso, muitos pacientes descrevem situações como:
- “Sinto algo prender quando me levanto da cadeira.”
- “O joelho dá um pulo quando começo a esticar.”
- “Existe um estalo forte na frente do joelho.”
- “Parece que alguma coisa engata e depois solta.”
- “O movimento prende por alguns segundos, mas depois continua.”
O “clunk patelar” é considerado uma alteração da articulação patelofemoral, região formada pela patela e pela parte anterior do fêmur. Depois da cirurgia, essa articulação passa a interagir com os componentes implantados da prótese de joelho, o que modifica algumas superfícies de contato e a maneira como a patela se desloca.
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TogglePor que o tecido fibroso se forma?
A formação de tecido cicatricial faz parte do processo normal de recuperação de qualquer cirurgia. O problema surge quando existe crescimento localizado e espesso desse tecido em uma área sujeita a contato repetitivo com a prótese.
A cada movimento de flexão e extensão, o nódulo pode roçar ou prender na região anterior da caixa intercondilar do componente femoral. Essa interação repetitiva pode aumentar o volume do tecido, perpetuar a irritação local e tornar o ressalto mais evidente.
Não existe uma única causa para todos os casos. Normalmente, o clunk resulta da combinação de características da prótese, posicionamento dos componentes, anatomia do paciente, cicatrização e funcionamento do mecanismo extensor.
Entre os fatores associados estão:
- Desenho do componente femoral.
- Dimensões da caixa intercondilar.
- Posição vertical da patela.
- Espessura e formato da patela após o procedimento.
- Altura da linha articular.
- Posição dos componentes da prótese.
- Tensão do tendão do quadríceps.
- Formação excessiva ou localizada de tecido cicatricial.
- Amplitude elevada de flexão do joelho.
- Cirurgias anteriores na articulação.
Esses fatores não significam que o paciente necessariamente desenvolverá o problema. Muitas pessoas apresentam uma ou mais dessas características sem qualquer sintoma.
Por que alguns modelos antigos de prótese apresentavam mais “clunk”?
O clunk patelar foi descrito principalmente em próteses totais de joelho estabilizadas posteriores. Nesse tipo de implante, o ligamento cruzado posterior geralmente é substituído por um mecanismo formado por um pino central no componente tibial e uma caixa no componente femoral.
Alguns modelos utilizados no passado apresentavam uma caixa intercondilar mais alta, profunda ou com uma transição menos suave entre a região anterior do componente femoral e a caixa. Essa geometria facilitava a entrada e o aprisionamento do tecido fibroso durante a flexão.
A maior frequência observada em determinados implantes antigos ajudou fabricantes e cirurgiões a compreenderem melhor o mecanismo da síndrome. Com o tempo, foram desenvolvidos componentes com:
- Transições mais arredondadas.
- Bordas menos proeminentes.
- Caixa intercondilar com desenho modificado.
- Melhor relação entre a região troclear e a caixa.
- Geometria patelofemoral mais favorável ao deslizamento da patela.
Por isso, a síndrome se tornou menos comum em várias linhas modernas de implantes, embora ainda possa acontecer. O desenho da prótese é apenas um dos elementos envolvidos. Posicionamento cirúrgico, anatomia, equilíbrio dos tecidos e resposta cicatricial também influenciam o risco. Estudos descrevem uma variação considerável de incidência entre diferentes modelos, reforçando a importância do desenho do implante.
Quando o clunk patelar costuma aparecer?
Os sintomas geralmente não começam imediatamente depois da cirurgia. É necessário algum tempo para que o tecido fibroso se desenvolva e passe a interferir no movimento.
A apresentação é mais comum nos primeiros meses após a artroplastia e frequentemente ocorre durante o primeiro ano. Entretanto, o intervalo varia entre os pacientes, e sintomas mecânicos tardios também devem ser avaliados.
O estalo pode ser percebido durante ações que alternam flexão e extensão, como:
- Levantar-se de uma cadeira.
- Sair do carro.
- Subir ou descer escadas.
- Estender a perna depois de ficar sentado.
- Pedalar.
- Fazer exercícios de agachamento.
- Levantar-se de uma cama baixa.
- Realizar exercícios de fisioterapia.
A sensação costuma acontecer quando o joelho passa de uma posição dobrada para uma posição mais estendida. O ângulo exato pode variar, mas o ressalto frequentemente ocorre durante uma faixa intermediária do movimento.
Quais são os sintomas do clunk patelar?
O sintoma mais característico é um estalo palpável ou audível na parte da frente do joelho durante a extensão. Algumas pessoas conseguem colocar a mão sobre a patela e sentir o ressalto.
Os sintomas possíveis incluem:
- Estalo forte e repetitivo.
- Sensação de algo prendendo atrás ou acima da patela.
- Ressalto durante a extensão do joelho.
- Dor na região anterior (da frente).
- Desconforto ao levantar-se.
- Dificuldade para usar escadas.
- Sensação breve de bloqueio.
- Irritação após movimentos repetitivos.
- Insegurança ao movimentar a articulação.
Em quadros leves, existe apenas um ruído ocasional, sem dor ou perda funcional. Nos moderados, o estalo se repete, provoca desconforto e interfere em algumas atividades. Quando o quadro se torna persistente, pode haver dor frequente, limitação funcional, receio de dobrar o joelho e dificuldade para realizar tarefas cotidianas.
O clunk verdadeiro deve ser diferenciado da crepitação patelofemoral. Na crepitação, vários pequenos focos de tecido fibroso podem provocar atrito, ruídos ou sensação áspera, mas sem o ressalto único e bem definido típico do clunk.
Quais problemas podem parecer clunk patelar?
Diferentes alterações podem causar estalo, dor ou travamento depois de uma prótese. A avaliação precisa excluir situações que exigem abordagens diferentes.
As principais possibilidades incluem:
- Crepitação patelofemoral: Produz sensação áspera, atrito ou pequenos estalos na parte anterior do joelho. Também pode estar relacionada à proliferação de tecido fibroso, mas costuma ser menos focal do que o clunk.
- Mau rastreamento da patela: Ocorre quando a patela não desliza de maneira centralizada sobre o componente femoral. Pode causar dor anterior, instabilidade, sensação de desvio e estalos.
- Fibrose articular: A produção excessiva de tecido cicatricial pode reduzir a amplitude de movimento. Nesse quadro, a principal queixa geralmente é rigidez contínua, e não apenas um ressalto breve.
- Instabilidade da prótese: Quando os tecidos ao redor do joelho não mantêm estabilidade adequada, o paciente pode sentir falseio, deslocamento ou insegurança ao caminhar e usar escadas.
- Soltura de componentes: A soltura da prótese de joelho pode provocar dor progressiva, principalmente ao apoiar o peso. Trata-se de uma condição diferente do clunk e que precisa ser investigada por exames de imagem.
- Infecção: Infecções podem causar dor, inchaço, calor, secreção, febre ou piora progressiva. Algumas infecções tardias apresentam sintomas discretos, sem febre evidente.
- Lesões do mecanismo extensor: Problemas envolvendo tendão do quadríceps, patela ou tendão patelar podem comprometer a força de extensão. Perda súbita da capacidade de esticar o joelho exige avaliação rápida.
Como o diagnóstico é realizado?
O diagnóstico começa com uma conversa detalhada sobre o momento em que o sintoma surgiu, o movimento que provoca o estalo e a presença de dor, inchaço, rigidez ou instabilidade.
O ortopedista também procura saber:
- Quando a artroplastia foi realizada.
- Qual modelo de prótese foi implantado.
- Se houve complicações no pós-operatório.
- Se o paciente sofreu trauma recente.
- Como foi a evolução da fisioterapia.
- Se existem sintomas em repouso.
- Se houve perda de movimento.
- Se o joelho apresenta calor ou inchaço.
Durante o exame físico, o médico pode pedir que o paciente dobre e estenda lentamente a perna. Em muitos casos, o ressalto pode ser observado, ouvido ou palpado sobre a região superior da patela.
Também são avaliados:
- Alinhamento do membro.
- Amplitude de movimento.
- Força do quadríceps.
- Estabilidade ligamentar.
- Deslizamento da patela.
- Local exato da dor.
- Presença de derrame articular.
- Temperatura e aspecto da cicatriz.
- Capacidade de caminhar e subir degraus.
A análise deve levar em consideração o tipo de cirurgia e as etapas esperadas do pós-operatório da artroplastia total do joelho. Isso ajuda a distinguir um processo de adaptação de uma complicação mecânica que precisa de tratamento específico.
Como funciona o tratamento sem cirurgia?
Nem todo paciente com estalo após a prótese precisa passar por uma nova cirurgia. Quando o clunk é leve, pouco frequente e não provoca dor importante ou perda de função, o ortopedista pode indicar acompanhamento clínico e tratamento para controlar os sintomas.
As medidas podem incluir:
- Ajuste temporário das atividades: redução de movimentos que provocam repetidamente o estalo, como agachamentos profundos, exercícios com grande flexão e levantar-se muitas vezes de assentos baixos.
- Fisioterapia personalizada: trabalho para recuperar mobilidade, força muscular, equilíbrio e controle dos movimentos, respeitando os limites da prótese e os sintomas apresentados.
- Fortalecimento progressivo: exercícios para quadríceps, músculos posteriores da coxa, glúteos e panturrilha, com aumento gradual da carga e supervisão profissional.
- Treino funcional e de marcha: correção de compensações ao caminhar, subir escadas, levantar-se e realizar outras atividades do cotidiano.
- Controle do inchaço e da sobrecarga: uso de frio, elevação do membro e adaptação da rotina podem ser orientados em situações específicas.
- Revisão do programa de exercícios: ajuste da amplitude, frequência e intensidade de atividades que aumentam a dor ou fazem o joelho prender.
- Medicamentos prescritos: analgésicos ou anti-inflamatórios podem ser considerados pelo médico para controlar sintomas em determinados pacientes.
- Acompanhamento ortopédico: reavaliações permitem verificar se os sintomas estão melhorando, permanecem estáveis ou estão se tornando mais limitantes.
Medicamentos para dor ou inflamação só devem ser utilizados quando prescritos. A automedicação pode causar efeitos adversos e interações, especialmente em pessoas com doenças renais, gástricas, cardiovasculares ou que utilizam anticoagulantes.
O tratamento sem cirurgia pode aliviar sintomas leves, mas não elimina necessariamente um nódulo fibroso que se prende mecanicamente à prótese. Por isso, a resposta deve ser acompanhada e a conduta revista quando o problema continua limitante.
Quando a cirurgia pode ser considerada?
A cirurgia pode ser considerada quando o clunk é doloroso, repetitivo, claramente demonstrado no exame e continua interferindo na função apesar das medidas iniciais.
O procedimento mais utilizado é a retirada do tecido fibroso. Em muitos casos, isso pode ser feito por artroscopia, por meio de pequenas incisões e uma câmera introduzida na articulação.
Durante o procedimento, o cirurgião:
- Examina o interior do joelho.
- Identifica o nódulo ou a faixa fibrosa.
- Avalia o contato com a prótese.
- Retira o tecido que causa o impacto.
- Verifica o movimento de flexão e extensão.
- Procura outras alterações dentro da articulação.
A retirada artroscópica pode melhorar os sintomas mecânicos em pacientes bem selecionados. Ainda assim, nenhuma cirurgia permite garantir ausência de recorrência ou resolução de toda dor, especialmente quando existem outras causas associadas. Estudos relatam melhora funcional após o desbridamento artroscópico, mas a indicação depende da confirmação do mecanismo responsável pelos sintomas.
Em casos mais complexos, pode ser necessária uma cirurgia aberta. A revisão de componentes da prótese é reservada para situações em que existe posicionamento inadequado, desenho problemático, instabilidade, soltura, desgaste ou outra alteração que não pode ser resolvida apenas pela retirada do tecido.
É possível prevenir o clunk patelar?
Não existe uma forma de prevenção capaz de eliminar completamente o risco. A síndrome depende de diferentes fatores, alguns relacionados à anatomia e à resposta individual de cicatrização.
Medidas cirúrgicas podem reduzir a probabilidade do problema, como:
- Seleção adequada do implante.
- Posicionamento preciso dos componentes.
- Controle da altura da linha articular.
- Equilíbrio apropriado dos tecidos.
- Preparação cuidadosa da patela.
- Retirada de tecidos que possam sofrer impacto.
- Avaliação do deslizamento patelar durante a cirurgia.
Os avanços no desenho dos implantes também contribuíram para diminuir a frequência observada em determinados modelos. Mesmo assim, toda artroplastia precisa de acompanhamento, fisioterapia e controle progressivo da carga.
Após a operação, seguir corretamente o programa de reabilitação da prótese total do joelho ajuda a recuperar força e movimento, embora não seja possível afirmar que a fisioterapia, isoladamente, previna todos os casos de formação de tecido fibroso.
Quando procurar um ortopedista?
Estalos novos ou progressivos depois de uma prótese devem ser comunicados ao cirurgião, especialmente quando são acompanhados por sintomas mecânicos ou inflamatórios.
Procure avaliação se houver:
- Dor persistente.
- Travamento repetido.
- Perda de movimento.
- Inchaço frequente.
- Piora progressiva.
- Dificuldade para apoiar o peso.
- Sensação de instabilidade.
- Perda de força.
- Trauma recente.
- Vermelhidão ou calor local.
- Febre.
- Saída de secreção pela cicatriz.
Dor intensa, deformidade, incapacidade súbita de estender o joelho, falta de ar ou inchaço importante na panturrilha exigem avaliação médica rápida. Esses sintomas não são típicos de um clunk simples e podem estar associados a complicações que precisam ser investigadas com prioridade.
Conclusão
O clunk patelar após prótese de joelho ocorre quando um tecido fibroso fica preso no componente femoral e se solta durante a extensão, causando estalo, ressalto ou breve travamento. O problema foi mais comum em alguns modelos antigos de próteses estabilizadas posteriores, embora ainda possa ocorrer atualmente.
Casos leves podem ser acompanhados com fisioterapia e adaptação das atividades. Quando há dor persistente, limitação ou travamento frequente, a retirada do tecido fibroso pode ser considerada. A avaliação com um ortopedista é importante para confirmar a causa e afastar outras complicações da prótese.
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O Dr. Carlos Vinícius é ortopedista com foco em medicina regenerativa e realiza uma avaliação completa para entender o grau da lesão, o perfil do paciente e definir o melhor tratamento, cirúrgico ou não, com tecnologias como reabilitação personalizada, terapia biológica e protocolos avançados de recuperação.
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